segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Ainda a respeito do tempo,

Alguém devia nos prevenir quanto ao nunca mais. Ele vem, sempre vem, invariavelmente. O bom só é bom porque finda no nunca mais, e a gente sabe disso. Mas não há preparação para o nunca mais. Quando ele vem, pronto, acabou, mais não há. Agora, nunca mais.

Essa liberdade que nunca mais. Esse momento que nunca mais. Essa infância, essa escola, essas amizades, essa vida. Essa vida que nunca mais.

E esse tempo que nunca mais. Esse instante que... o quê? nunca mais. Esses esses, esses aqueles, esse outro. Esse outro que nunca mais. Kate Nash, "Merry happy".

Esse outro tempo pelo qual eu tanto ansiava chegou. Bate à porta enquanto o que me pertencia foge pela janela. Ele se afasta - só assim eu percebo o quanto ele era belo. Isso tudo é belo porque nunca mais?

O que resta a fazer é atender a porta. Mas eu sempre dou uma espiada na janela. Invariavelmente.


Morrerei precocemente aos 47 anos com um quadro de nostalgia aguda.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Tempo, mano velho

As coisas estão rápidas. Rápidas demais.

As conversas são rápidas. As novelas são rápidas. As viagens, a queda da Bolsa, os seqüestros. A retirada do trema de "seqüestros". Foi tudo rapidinho.

Mas tudo está correndo mesmo. Relacionamentos duram uma noite, hectares de floresta são dizimados em poucas chamas, lançamentos de celulares a cada semana. A formatura de 3° ano tá aí! Hoje, de lento, parece que só as propagandas da Warner.

Dá até vertigem. Mas passa rápido.

***

Em uma viagem que fiz a Goiás Velho, há uns três anos atrás, aconteceu um fato curioso: uma velha.

Eu e família saímos cedo do hotel pra rodar na cidade. As casas de Goiás Velho ou são de arquitetura antiga senhorial, ou são muito pobres. Numa casa pobre, estava sentada uma velha em frente à porta aberta.

Depois do rolé pela city há-há-há voltamos ao hotel pelo mesmo caminho.

E a velha continuava lá.

Não creio que ela estivesse vendo TV ou ouvindo rádio ou fazendo qualquer outra coisa. Mas ela continuava exatamente na mesma posição em que a vi pela primeira vez. Absolutamente imóvel.

Posso dizer que me lembro de muito pouco daquela viagem e até da própria cidade, mas daquela velha eu não me esqueço. Era como se... como se ela não habitasse esse mundo a que estou acostumada, esse mundo rápido e confuso. Parecia que, naquele rosto marcado pelo tempo, já não passava tempo algum.

Ou talvez ela já estivesse morta. Não sei.

Mas ela me fez parar. Parar e pensar a fundo no que diabos eu estou fazendo aqui. Afinal, eu não sou rápida. Não acompanho o curso do mundo, e percebi que nem quero. É possível se encaixar num mundo tão caótico sem ir no seu ritmo? É, eu acho que é. Só preciso aprender como, mas tudo a seu tempo. Ou melhor, ao meu tempo.

Vou voltar a escrever. Mesmo um blog à disposição na internet pode me fazer olhar um pouco mais para dentro.

sábado, 20 de setembro de 2008

Para uma nova experiência

Diz não e todo um mundo de possibilidades se fecha. Experimenta. Ou melhor, não experimenta. Quero dizer, experimenta te abrir. Estou sendo confusa?

Experimenta fazer o impensável: conversar com aquele que te magoou há um tempo, tratar de aprender logo aquela receita de torta, tomar coragem e depilar as axilas com cera. Quem sabe?

Pode também tentar fazer o que no começo pode parecer maçante. Organiza teu álbum de fotografias, lê o livro gigantesco do vestibular, conserta a bicicleta parada há anos, poda a amoreira que não mais dá frutos. Quem pode dizer que ela não florecerá mais uma vez?

Ou simplesmente, tenta sair do óbvio. Atenda o telefone com sorriso no rosto, usa a louça florida e parada para um lanche comum, fecha o guarda-chuva quando te der na telha e se molha. Não pode ser tão ruim.

Abraça mais as pessoas. Abre mais a cabeça. Quem sabe um pouco de otimismo, mesmo dos mais clichês, pode te trazer alguma experiência até então inusitada? Quem sabe?

Bom, eu não faço idéia. Então, faz o seguinte?

Experimenta.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Lembra-se?

Li, ontem, uma matéria na Superinteressante sobre uma mulher que lembra, em detalhes, tudo o que aconteceu a ela nos últimos 28 anos. Fiquei assustada. Tudo?

Óbvio, há coisas que sempre gostaríamos de lembrar, como o nome daquele conhecido que lhe cumprimentou na rua ou aquela fórmula de Física. Mas, e tudo aquilo que você quer detonar da memória, uma gafe, um trauma? Não é à toa que ela sofre de depressão.

Porque a memória é um bicho estranho. Quero dizer, essa tarefa de selecionar o que deve ser guardado do descartável é tão subjetiva. O que é ruim? O que é essencial? E por que diabos a gente é capaz de guardar coisas tão estúpidas? Eu consigo guardar com mais facilidade a data de nascimento de Daniel Radcliffe do que o que foi decidido em Potsdam! (E racho a cara de vergonha).

Minha cabeça sempre me deixa na mão em questões cruciais. Detesto esquecer o que ia dizer, não saber onde está minha carteirinha, não lembrar de fazer dever de casa. Detesto esquecer. Acho que mal de Alzheimer seria mais que frustrante pra mim. É insuportável a idéia de perder pouco a pouco a lembrança de sensações, de lugares, de pessoas. E pra não esquecer, eu escrevo diários.

Um diário é capaz de me fazer viver momentos de novo. Pode parecer mulherzinha, mas é essa a essência: só assim eu posso lembrar a intensidade com que cansei, chorei e amei em algum ponto da minha vida. Rever essas horas me deixam tão... feliz. É como sentir um cheiro que lembra algo por que você sente afeto. É reconhecer aquela pessoa que um dia foi você, mas que já não se lembra.

Sim, a minha memória é falha. Mas eu preencho minhas lacunas com um diário. Vou continuar a esquecer minhas chaves, meus deveres de casa e minhas respostas, porque não sou a mulher da Superinteressante, mas tudo isso é natural. O segredo é usar a memória sabiamente: se lamenta a merda que fez um dia, que não faça a mesma merda depois. E se tem algum momento bom no passado, que não se preocupe em lembrar de seus detalhes, mas em criar sempre mais momentos incríveis. É a lógica da vida não viver de passado e, sim, construir o futuro.


(Mas, por favor, procure trabalhar a memória. É o que eu vou fazer com a minha, depois de esquecer a conclusão muito boa que tinha elaborado e ter de me contentar com essa coisa brega que eu escrevi. Diacho.)

segunda-feira, 21 de julho de 2008

3 dias de Móveis Convida!

Como já é de praxe que eu faça algum tipo de propaganda sobre o evento, tá aqui: Móveis Convida edição 9, com 3 dias! Acontecerá no Espaço Brasil Telecom, no Brasília Alvorada Hotel (ao lado do Palácio da Alvorada), nos dias nos dias 8, 9 e 10 de agosto.

Serão nove bandas convidadas, além de Móveis Coloniais de Acaju ao final de cada dia, é claro. As bandas seguirão o seguinte programa:

dia 8
20:00h abertura da casa
20:40h Deuses da Kaaba (DF) - Palco 1
21:00h Mutandina (Arg) - Palco 2
21:50h Watson (DF) - Palco 1
22:20h Móveis - Palco 2

dia 9
20:00h abertura da casa
20:40h The Pro (DF) - Palco 1
21:00h Pata de Elefante (RS) - Palco 2
21:50h César de Paula (DF) - Palco 1
22:20h Móveis - Palco 2

dia 10
19:00h abertura da casa
19:40h Leo Yolobem (DF) - Palco 1
20:00h Coiffeur (Arg) - Palco 2
20:50h Diego de Moraes (GO) - Palco 1
21:20h Móveis - Palco 2

O espaço tem capacidade para 450 pessoas e os ingressos começarão a ser vendidos nessa terça-feira a R$15,00 a meia e R$30,00 a inteira no Espaço Brasil Telecom, no Estúdio Original 69 (114 norte, Bl A) e na Kingdom Comics (Conic). Como o preço é salgado, vou só dia 8. Quem for também, avisa!
Para mais informações: (61)8135-75 75 e 8134-6106

Para ouvir:
www.myspace.com/mutandina
www.tramavirtual.com.br/coiffeur
http://www.patadeelefante.com/
www.myspace.com/diegodemoraes
www.myspace.com/bandawatson
www.myspace.com/deusesdakaaba
www.myspace.com/theprobr
www.cesardepaula.com/
www.moveiscoloniaisdeacaju.com.br/produtos/cd_idem/index.php

Divirtam-se!

terça-feira, 15 de julho de 2008

. Começo

Esse foi o texto mais difícil que já fiz, pelo significado que ele tem pra mim. Mas foi, também, o mais importante.



É. Acho que cheguei a um momento em que nem eu consigo organizar meus pensamentos.

Mas organizar a meu modo. Sempre detestei regras e normas que norteiam um texto até que se chegue a uma conclusão aceitável, já esperada. Porque não há arte sem um pouco de devaneio, de inusitado. E é isso que está me faltando.

Eu preciso de mais! E pra puta-que-o-pariu o "Quem quer mais quer Sigma" - o que eu quero é um baque, um susto, uma mudança. Alguém que me dê um tapa e me acorde. Eu estou cansada de mim, desse eu que já se esgotou, desse eu acomodado. Estou cansada desse eu óbvio. Estou cansada de pretensão.

Quero liberdade! Não esse substantivo feminino do Aurélio, mas esse sentimento, essa motivação mais profunda que se possa compreender! Quero ser aquilo que me convenha, o mais absurdo e ousado possível! Quero viver com intensidade, chorar com fervor, rir com volume, cantar com todo o ar do mundo! Quero ser muito e muitos! E que nunca me esgotem os pontos de exclamação!


Que me olhem. Que comentem. Que desaprovem. Eu sou eu, mas mais feliz, mais egocêntrica, mais incompreensível e mais humana do que jamais fui.

E eu gosto.

domingo, 6 de abril de 2008

Dancin' Queen

Para fazer bonito no Flashback do Sodeso no próximo fim de semana, meus pais e alguns colegas de adolescência estão ensaiando passos de Michael Jackson, agora. Uns dois-pra-lá-vira-desliza. Coisas que eram tão comuns nas discotecas dos anos 80 e que continuam a ser tão divertidas.

Esses ensaios me fazem pensar em como serão os Flashback da minha geração. Quero dizer, naquela época, o Sodeso era freqüentado religiosamente por todo adolescente bacana e descolado de Sobradinho. Hoje, qual é o lugar mais freqüentado pelos jovens (sim, eu vou usar essa palavra que, mesmo tendo um significado completamente díspare, tem uma aparência tão idosa)? Onde poderíamos reunir todas as tribos de hoje? Os gostos são tão diferentes... Não era assim antigamente? Ou as opções disponíveis eram tão boas que ninguém mais precisava procurar outro tipo de música além do pop e do punk?

Aliás, gostaria de deixar clara minha inveja daqueles que viveram nos anos 70 e 80. Sim, gosto de Bee Gees, ABBA, John Travolta e companhia. E não dispenso Led Zeppelin. E não tenho vergonha.

E que músicas tocariam? NX Zero? Banda Calypso? Simple Plan? Mc Créu? Sinceramente, quem gostaria de se reunir pra relembrar essas músicas? E não teríamos coreografias a ensaiar, nem perucas esdrúxulas a usar, nem filmes que marcaram a recordar! Teríamos?

Quando paro prá pensar, acho que os Flashback de 20 anos a frente não serão tão divertidos. Ou melhor, poderão ser divertidíssimos, mas diferentes daqueles aos quais meus pais e seus amigos irão no próximo fim de semana. Mas, ainda assim, teremos nossas lembranças, estórias e micos a recordar e a rir. E, no futuro, poderemos nos reunir e celebrar as músicas e as calças da moda de hoje que, com certeza, serão consideradas absolutamente bregas ou gays por nossos filhos.

quarta-feira, 19 de março de 2008

Academia

Como diria o sábio Eli, são quatro os segredos da Santíssima Trindade. Pra mim, o quarto é a academia. Digo o porquê:
Toda manhã que subo da parada de ônibus para o colégio, passo por uma academia. Janelas grandes. Lá dentro, eu vejo, em média, 20 pessoas malhando.
Vou repetir:
Todo dia. Colégio. Madrugada. 20 pessoas malhando. Sentiu?
Olha, eu entendo aquelas pessoas que não têm bicicleta, ou precisam emagrecer, ou manter a forma, ou ficar mais fortes e másculas, ou não têm tempo pra correr no parque, ou precisam gastar dinheiro em alguma coisa, sim, eu compreendo. Agora, quem acorda às 6 da matina pra pedalar?! Essas pessoas aí, eu não entendo.
E não é só a hora de acordar que me intriga (e mesmo que eu acorde até mais cedo que às 6 da madrugada, eu só o faço sob tortura), mas também o fato de que há pessoas que realmente gostam desse hábito. Gostam de ficar dentro de um galpão asfixiante, ouvindo uma música enjoada que parece repetir três zilhões de vezes ao dia, suando feito pano de cuscuz (ou o que quer o Roque diga), agüentando um filho da mãe de shorts apertados dizendo "muito bem, agora faltam só mais dois séculos de esteira", e ficar nisso até os dois séculos realmente acabarem! Dois séculos mesmo, posto que já morei perto dessa academia e via gente malhando até ela fechar (o que acontecia por volta da meia-noite). Espera, vou tirar a sentença dos parênteses, ela é crucial. O que acontecia por volta da meia-noite.
Da madrugada à meia-noite! Pobres das pessoas que trabalham nessa academia que têm que agüentar a música que repete e os shorts que lhes apertam as partes!
Agora, o mais interessante foi o que eu ouvi nessa manhã: o tal do filho da mãe de shorts falando "isso, mais um pouco de montanha, depois a gente desce". Que diabos de montanha? Ele tava querendo simular uma subida de montanha (em uma bicicleta) dentro de uma academia? Caramba, o maior contato com a natureza que as pessoas que malham têm com o mundo lá fora é feito por uma janela grande de frente pra uma rua e pras pessoas que sobem para o colégio! "Mais um pouco de montanha", vá se lascar!

Eu conversando com uma amiga no banheiro e ela me diz que tá com vontade de malhar.
Vontade de malhar? Taí o quarto mistério.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Com o perdão da palavra...

Imagina se Manuel Bandeira fosse um adolescente típico dos dias de hoje? Tudo bem, ele seria um pouco mais culto que a média jovem e ainda seria capaz de fazer poesia. Mas, só imagina...

abre aspas
vo pra paçargada
lah eu so mano do rei
lah tnho as mina q qro
na cama q escolhe
vo pra paçargada
[...]
fecha aspas

Ainda bem que isso não tem como acontecer.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Picadeiro

Picadeiro. É isso: o lugar onde se cria e se transforma, onde se alude e se ilude, onde se critica e se espanta, onde se maravilha e se surpreende. Onde se fala a alta voz, onde se declama, se proclama, se reclama. Onde não há receio. Onde se liberta.

Deleite-se.