Sexta-feira, 5 de Junho de 2009

Pargarávio

Solumbrava, e os lubriciosos touvos
Em vertigiros persondavam as verdentes;
Trisciturnos calavam-se os gaiolouvos
E os porverdidos estriguilavam fientes.

"Cuidado, ó filho, com o Pargarávio prisco!
Os dentes que mordem, as garras que fincam!
Evita o pássaro Júbaro e foge qual cosrisco
Do frumioso Capturandam."

O moço pegou de sua espada vorpeira:
Por delongado tempo o feragonista buscou.
Repousou então à sombra da tuntumeira,
E em lúmbrios reflaneios mergulhou.

Assim, em turbulosos pensamentos quedava
Quando o Pargarávio, os olhos a raisluscar,
Veio flamiscuspindo por entre a mata brava.
E borbulhava ao chegar!

Um, dois! Um, dois! E inteira, ao punho,
A espada vorpeira foi por fim cravada!
Deixou-o lá morto e, em seu rocim catunho,
Tornou galorfante à morada.

"Mataste então o Pargarávio? Bravo!
Te estreito no peito, meu Resplendoroso!
Ó gloriandei! Hosana! Estás salvo!"
E na sua alegria ele riu, puro gozo.

Solumbrava, e os lubriciosos touvos
Em vertigiros persondavam as verdentes;
Trisciturnos calavam-se os gaiolouvos
E os porverdidos estriguilavam fientes.



Postei um texto antes deste, mas o apaguei. Não me pareceu sensato deixar à mostra um texto que só fazia sentido pra mim e pra mais ninguém. Mais sensato me pareceu deixar algo que não fizesse sentido nem pra mim nem pra ninguém, e nem pra Alice Através do Espelho, de onde eu tirei o texto. Faz sentido?


Pfff – claro que não. Vou criar vergonha na cara e escrever algo decente.

Sábado, 2 de Maio de 2009

AAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHH!!!!!!!!!!

sentiu?

Domingo, 5 de Abril de 2009

Questão n° 17. Leia a tirinha a seguir:








Agora, explique, com suas próprias palavras, como acontece o humor no diálogo.


Oras, por favor. Se tinha um tipo de questão que me irritava nas provas de ensino fundamental, era esse. Existe coisa mais sem-graça que explicar a piada?

Eu geralmente pensava numa resposta mais legal do que a que eu escrevia. Ela era essencialmente assim:

R: Sim, pois não. O humor se dá, em especial, na dramatização e na resposta do Calvin, que é engraçadíssima, morri de rir. Aliás, não acho que seja assim tão difícil de reparar em como acontece o humor. Você não entendeu a piada, né? Também não vou explicar, vai perder toda a graça. Lê de novo, você consegue fazer isso sem a ajuda de uma criança.

(Porque, naquela época, eu era uma criança.) Óbvio que eu acabava escrevendo algo bem diferente, com alguma coisa sobre inversão de expectativa ou algo do gênero. Eu sabia me adequar aos moldes.

A questão é que eu não conseguia imaginar como alguém conseguia ser tão sem-graça. Mania comum de professor? Ou seriam os adultos em geral todos sem-graça? Porque Calvin é Calvin, oras! E qualquer explicação racional lhe tira o sentido.

E eu ia nessa linha de pensamento até alguns dias atrás, quando entrei na Sabugosa e encontrei Criaturas Bizarras de Outro Planeta (o livro, digo). Enquanto eu lia, percebi que, inconscientemente, eu tentava achar uma explicação razoável para o que o Calvin estava fazendo com o Haroldo. Como diabos eles jogavam baseball, se este é só um bicho de pélúcia?

Só um bicho de pelúcia...

Fechei o livro e os olhos e não soube mais o que estava havendo. Como eu pude pensar algo assim? Estaria eu me tornando, assim... não, não sem-graça, eu procurava uma palavra pior.

Enfim, essa palavra veio com a declaração que a minha irmã fez nesse fim-de-semana, a pior e mais inoportuna que ela poderia ter feito: "Caraca, você faz 18 em menos de um mês!"

18. Menos de um mês.

Puta-que-o-pariu, eu tô virando adulta.


Sexta-feira, 6 de Fevereiro de 2009

O mundo não é original

Depois de milênios de existência da vida humana na Terra, tudo o que tinha a ser pensado já o foi. Não há mais idéias novas. Pelo menos é essa a impressão que tenho quando vejo o que a imprensa mostra.

Mas, será que o problema está em mim, ou tudo o que vejo é repetitivo? Nada mais me surpreende. Não é mais original pedalar pelado no meio de São Paulo, nem dar a luz a quadrigêmeos, nem usar sutiãs de bacon, nem meninas retardadas de sete anos apresentando programas de TV... Eu estou mesmo desesperançosa com o futuro. E isso porque não param de me chegar exemplos e mais exemplos do que já não é mais original.

Nem buscar ser original é ser original.

Nem questionar o governo, ou os costumes, ou o mundo, nada disso é original!

Nem procurar bandas independentes no MySpace é original.

(Alguém fala pros judeus que o movimento sionista não é mais original?)

Meu Deus, cadê o novo?! Sumiu? Isso é porque a gente se contenta com falta de originalidade e se acostuma com 20 anos de Faustão todo domingo? A gente gosta de ouvir a mesma coisa, ver a mesma coisa, ler a mesma coisa, dançar a mesma coisa, comprar a mesmamesmamesmamesmamesmaMESMACOISA!!

Estou realmente decepcionada com a humanidade.

De repente, me dou conta que o mundo não é original. O mundo não é original. Acho que não existe notícia que caia mais como uma bomba do que essa. Para mim.

Eu sinto a necessidade do descobrimento de talentos. De vanguardistas com conteúdo, ousados, diferentes. Corajosos. Eu poderia sê-lo. Você poderia sê-lo. Mas qual não é o peso de ser original? Os olhares, as críticas, as risadinhas. É o meu desabafo de menina de calças listradas e cabelo de Bozo, que enfrenta todo-santo-dia esse tipo de coisa. E olha que não sou original. Nem de longe. No máximo, diferente.

Num mundo em que o normal é ser comum-insosso, o original é feio. E, infelizmente, não vejo ninguém querendo ser feio – nem alguém que tenha capacidade para tanto.

Diante disso, vou existindo apenas por conveniência.

***

Peço licença agora para fazer uma pergunta pouco original: alguém sabe qual é o sentido da vida?
E viver + sorriso amarelo não vale como resposta.

Segunda-feira, 8 de Dezembro de 2008

Ainda a respeito do tempo,

Alguém devia nos prevenir quanto ao nunca mais. Ele vem, sempre vem, invariavelmente. O bom só é bom porque finda no nunca mais, e a gente sabe disso. Mas não há preparação para o nunca mais. Quando ele vem, pronto, acabou, mais não há. Agora, nunca mais.

Essa liberdade que nunca mais. Esse momento que nunca mais. Essa infância, essa escola, essas amizades, essa vida. Essa vida que nunca mais.

E esse tempo que nunca mais. Esse instante que... o quê? nunca mais. Esses esses, esses aqueles, esse outro. Esse outro que nunca mais. Kate Nash, "Merry happy".

Esse outro tempo pelo qual eu tanto ansiava chegou. Bate à porta enquanto o que me pertencia foge pela janela. Ele se afasta - só assim eu percebo o quanto ele era belo. Isso tudo é belo porque nunca mais?

O que resta a fazer é atender a porta. Mas eu sempre dou uma espiada na janela. Invariavelmente.


Morrerei precocemente aos 47 anos com um quadro de nostalgia aguda.